Mostrar mensagens com a etiqueta desabafos. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta desabafos. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

das responsabilidades....

Trabalho, faculdade, casa: é esta a minha rotina, a minha "nova vida". Não posso dizer que todos os dias são maus, que não há coisas boas mas nem sempre é fácil. Por vezes os dias passam rápidos outras vezes demora a passar. No trabalho temos por vezes que engolir sapos, assumir outras responsabilidades, lidar com os colegas de trabalho e na faculdade é "mais da mesmo". Acho que isto significa crescer. Todos nós mais cedo ou mais tarde temos de assumir responsabilidades e "fazermos-nos à vida". Podem perguntar me se eu não gostava que as coisas fossem mais fáceis e que tudo fosse mais simples. Gostava mas no final não seria a mesma coisa. Por vezes só com o "suor" e com o esforço é que damos um verdadeiro sentido às coisas e as vitórias de cada dia acabam sempre por ter um gosto especial. Se há dias em que gostava que as coisas fossem mais simples? gostava mas nem sempre é assim e a vida é mesmo essa e é essa a vida que tenho e não mudava.  

quinta-feira, 19 de julho de 2012

Adeus

Já gastámos as palavras pela rua, meu amor, 
e o que nos ficou não chega 
para afastar o frio de quatro paredes. 
Gastámos tudo menos o silêncio. 
Gastámos os olhos com o sal das lágrimas, 
gastámos as mãos à força de as apertarmos, 
gastámos o relógio e as pedras das esquinas 
em esperas inúteis.
 

Meto as mãos nas algibeiras e não encontro nada. 
Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro; 
era como se todas as coisas fossem minhas: 
quanto mais te dava mais tinha para te dar. 

Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes. 
E eu acreditava. 
Acreditava, 
porque ao teu lado 
todas as coisas eram possíveis. 

Mas isso era no tempo dos segredos, 
era no tempo em que o teu corpo era um aquário, 
era no tempo em que os meus olhos
 
eram realmente peixes verdes. 
Hoje são apenas os meus olhos. 
É pouco, mas é verdade, 
uns olhos como todos os outros. 

Já gastámos as palavras. 
Quando agora digo: meu amor, 
já se não passa absolutamente nada. 
E no entanto, antes das palavras gastas, 
tenho a certeza 
que todas as coisas estremeciam 
só de murmurar o teu nome 
no silêncio do meu coração. 

Não temos já nada para dar. 
Dentro de ti 
não há nada que me peça água. 
O passado é inútil como um trapo. 
E já te disse: as palavras estão gastas. 

Adeus. 
Eugénio de Andrade



* 

Porque por vezes é preciso dizer adeus para seguir com a nossa vida em frente